As exportações brasileiras de carne bovina perderam ritmo em setembro, mas os preços elevados da proteína no mercado internacional continuam sustentando o faturamento dos frigoríficos exportadores.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume embarcado caiu 1,4% em relação a agosto, enquanto a receita cresceu 1,3% no mesmo período.
O resultado indica que a valorização da carne bovina brasileira no exterior compensou a redução dos embarques. De acordo com o Cepea, os preços recebidos pela proteína seguem em patamares elevados, contribuindo para a manutenção das receitas mesmo diante de um cenário de menor volume comercializado.
Queda nas vendas para a China pressiona exportações
A retração dos embarques em setembro foi influenciada principalmente pela forte redução das vendas para a China, maior compradora da carne bovina brasileira.
Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil exportou 229,3 mil toneladas de carne bovina em setembro, queda de 35,1% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita totalizou US$ 1,38 bilhão, recuo de 27,6% na comparação anual.
O mercado chinês recebeu apenas 12,9 mil toneladas da proteína brasileira no mês, volume 93,2% inferior ao registrado em setembro do ano passado. A queda está relacionada às restrições comerciais impostas pela China, que estabeleceu cotas de importação e tarifas adicionais para volumes que ultrapassam os limites definidos.
Preços elevados ajudam a compensar redução dos embarques
Apesar do recuo nas vendas para a China, outros mercados ampliaram as compras de carne bovina brasileira. Os Estados Unidos importaram 48,3 mil toneladas em setembro, crescimento de 389% em relação ao mesmo mês de 2025. O faturamento com as vendas aos norte-americanos chegou a US$ 313,8 milhões.
O Chile também registrou crescimento expressivo, com 19,4 mil toneladas importadas, alta de 87,2%. A Rússia comprou 13,1 mil toneladas, aumento de 20,5% na comparação anual.
A ampliação das vendas para esses destinos ajudou a amenizar os efeitos da retração chinesa, embora os novos volumes ainda não tenham sido suficientes para substituir integralmente a demanda da China.
A valorização da carne bovina brasileira no exterior também aparece nos resultados acumulados do ano. Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas da proteína, volume 0,5% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Em contrapartida, a receita alcançou US$ 14,17 bilhões, crescimento de 14,1% na comparação anual, segundo a Abiec. Os números mostram que, mesmo diante das restrições comerciais e da redução recente dos embarques, os preços mais elevados continuam contribuindo para o faturamento das exportações brasileiras de carne bovina.











