O mercado físico do boi gordo registrou mais uma semana de preços em alta no Brasil, em meio à cautela dos pecuaristas em disponibilizar maiores volumes de ofertas para compra por parte dos frigoríficos.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias, o cenário de valores firmes apresentou intensidades distintas nos últimos dias.
“Em São Paulo, a valorização da arroba perdeu tração após os avanços recentes, com uma maior acomodação das referências e resistência dos frigoríficos a trabalhar com patamares mais elevados de preços. Na Região Norte, por outro lado, a alta continua mais intensa, diante da oferta restrita e da necessidade das indústrias de recompor suas programações.”
Iglesias sinaliza que as escalas de abates seguem concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte do país. "A dificuldade para alongar as programações indica que o mercado continua vulnerável a novos episódios de alta, inclusive em São Paulo", pontua.
Variação dos preços da arroba
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 23 de outubro:
- São Paulo (Capital): R$ 386,25, alta de 0,6% em relação aos R$ 383,83 do fechamento da semana anterior
- Goiás (Goiânia): R$ 371,25, aumento de 0,7% frente aos R$ 368,57 registrados no encerramento da semana anterior
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 380,29, elevação de 1,7% ante os R$ 373,76 do encerramento da semana passada
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 380,45, avanço de 2,1% em comparação aos R$ 372,52 praticados no encerramento da última semana
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 360,81, alta de 2,3% perante os R$ 352,57 praticados no fechamento da semana passada
- Rondônia (Vilhena): R$ 363,15 a arroba, alta de 0,83% em relação aos R$ 360,10 registrados no final da semana passada
Mercado atacadista
Conforme Iglesias, o mercado atacadista trabalhou com menores espaços para reajustes nos últimos dias, limitados aos cortes do dianteiro bovino, diante do menor apelo ao consumo característico da segunda quinzena do mês e da redução dos efeitos associados à entrada dos salários na economia.
“Para o curto prazo este cenário persiste, uma vez que a carne bovina continua enfrentando forte concorrência das proteínas substitutas, especialmente da carne de frango, que apresenta ampla vantagem de preço e tende a ocupar maior espaço nas decisões de compra dos consumidores.”
- Quarto do traseiro bovino: foi precificado a R$ 29,50 por quilo, valor inalterado frente ao encerramento da semana passada
- Quarto do dianteiro do boi: foi cotado a R$ 22,30 por quilo, avanço de 1,36% frente aos R$ 22,00 praticados no encerramento da última semana
Exportações de carne bovina
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 671,457 milhões em outubro até o momento (11 dias úteis), com média diária de US$ 61,041 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 107,835 mil toneladas, com média diária de 9,803 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.226,70.
Em relação a outubro de 2025, houve baixa de 24,4% no valor médio diário da exportação, queda de 32,7% na quantidade média diária exportada e avanço de 12,4% no preço médio.











