O novo silo biorreator reduz teores de micotoxinas, fungos, pragas e resíduos químicos, contribuindo para a produção de ração mais segura, sustentável e de alto desempenho. Resultado de parceria entre a Embrapa e a empresa Nascente, o SiloBio estreia no mercado brasileiro com grãos de milho, com perspectiva de aplicação em sorgo, soja e outros farelos processados. Experimentos com ozônio conseguiram reduzir em mais de 90% a incidência de micotoxinas de fungos nos grãos, sem prejudicar a qualidade nutricional por manter teores normais de proteínas, lipídeos e cinzas. Embora o uso do ozônio no tratamento de grãos já seja conhecido globalmente, a inovação do SiloBio está na adaptação e no escalonamento industrial da tecnologia no Brasil. A apresentação ocorrerá em 11 de março de 2026, às 8h, durante a comemoração do 50º aniversário da Embrapa Milho e Sorgo. A Embrapa Milho e Sorgo (MG) apresenta ao mercado uma tecnologia sustentável e inovadora, capaz de garantir que grãos usados na produção de ração animal estejam livres de toxinas, além de aumentar a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio. Desenvolvido em parceria com a empresa Nascente (NCT), o novo silo biorreator batizado de SiloBio (foto ao lado) é uma solução exclusiva para higienização de grãos em larga escala, que amplia a segurança sanitária e o valor agregado da produção. O silo biorreator é um equipamento que combina a funcionalidade de armazenamento de um silo com o ambiente controlado de um biorreator, para tratar grãos em escala industrial. No caso do SiloBio, ele utiliza a ação natural do gás ozônio, tecnologia que elimina micotoxinas, fungos, pragas e demais resíduos químicos, para garantir uma ração segura, sustentável e de alto desempenho. O desenvolvimento da tecnologia começou com a validação de um processo de aplicação de gás ozônio. Essa técnica, realizada por pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, visa à redução de teores de micotoxinas em grãos de milho na pós-colheita. O uso do gás ozônio para controlar as micotoxinas, processo conhecido como detoxificação, já era estudado há algum tempo e com potencial demonstrado na literatura. “A Embrapa Milho e Sorgo iniciou pesquisas com foco na redução de teores de fumonisinas, um tipo de micotoxina produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium sp., que é predominante em grãos de milho”, explica o pesquisador Marco Aurélio Pimentel. “Começamos esses estudos com a aplicação direta do gás ozônio nos grãos entre os anos 2012 e 2013. Essa técnica é chamada de aplicação a seco e, em escala de laboratório, utilizou estruturas (protótipos) que simulavam um silo”, comenta Pimentel, que é o líder desse projeto na unidade de pesquisa mineira. Segundo o pesquisador, foram animadores os resultados obtidos, como a redução de até 88% de fumonisinas totais e de até 96% de fungos dos gêneros Fusarium sp. e Penicillium spp. “Nesse mesmo estudo pudemos observar que a aplicação do gás ozônio, mesmo por tempo prolongado (até 60 horas), não prejudicou a qualidade dos grãos, mantendo os níveis normais de teor de água, proteínas, lipídeos e cinzas”, complementa. Os resultados dessa primeira fase da pesquisa estão publicados em um artigo intitulado Ozone as a Fungicidal and Detoxifying Agent to Maize Contaminated with Fumonisins no periódico Ozone: Science & Engineering Pimentel observa que o ponto de partida para o escalonamento da tecnologia do SiloBio, em parceria com a empresa Nascente, foram esses resultados promissores e o seu potencial para detoxificação de micotoxinas. Outra possibilidade é o uso como agente de controle de insetos e de oxidação de outras moléculas orgânicas que podem ser consideradas contaminantes, como inseticidas e demais agroquímicos. Desenvolvimento do biorreator SiloBio Um biorreator foi desenvolvido para uso nos experimentos voltados ao escalonamento. O equipamento tem como característica principal a movimentação dos grãos no seu interior, que é realizado por uma rosca helicoidal. No corpo do biorreator foram inseridos anéis com injetores de gás ozônio para promover maior homogeneidade de aplicação na massa de grãos. Nesse sistema houve vários experimentos com diferentes lotes de milho contaminados naturalmente com variados teores de fumonisinas. Pimentel relata que uma das formas de medir a eficiência do processo foi determinar a redução percentual relativa dos teores de fumonisinas, após determinado período de aplicação do gás ozônio. Em seguida, os teores obtidos nos ensaios foram comparados com os Limites Máximos Tolerados (LMT) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou pelo setor produtivo, especialmente os admitidos nas cadeias de proteína animal e de alimentação humana. A Anvisa estabelece LMT para fumonisinas totais em grão de milho não processado de até 5.000 microgramas por quilograma (μg/kg). Já em alguns segmentos das cadeias de produção de suínos e aves, existe uma indicação de limites mais restritivos, chegando ao máximo de 1.000 μg/kg, para matrizes e algumas fases específicas. A cadeia da indústria de alimentação humana também tem LMT nessa faixa ou até menores. “Tomando esses teores como referência, diversos experimentos foram implementados, onde conseguimos atingir níveis dentro das faixas demandadas por essas indústrias”, comenta o pesquisador. Os dados estão registrados no artigo Tecnologia para redução de fumoninisas em milho por meio da aplicação de gás ozônio. Pesquisa, engenharia industrial e sustentabilidade A entrada da empresa Nascente no projeto aconteceu de forma orgânica, nascida da realidade do campo. O diretor-executivo e de Tecnologia da empresa, Leonardo Tuschi (de roupa branca na foto à esquerda, ao lado do pesquisador Marco Aurélio Pimentel), conta que dois grandes produtores de suínos do centro-oeste de Minas Gerais entraram em contato com a Nascente em busca de soluções de tratamento de ozônio porque uma médica veterinária, que lhes prestava consultoria e tinha forte conexão com a Embrapa, comentou que os pesquisadores estavam iniciando estudos promissores para inibição de fungos em milho armazenado. “Após uma primeira experiência de laboratório, fiz questão de ir a campo. Visitei sua propriedade para entender a operação de ponta a ponta – uma granja robusta, com cerca de 15 mil animais. Ver a realidade do produtor foi a nossa virada de chave. A partir dessa imersão e de conversas com o pesquisador Marco Aurélio Pimentel, da Embrapa Milho e Sorgo, consegui identificar como o nosso conhecimento em tecnologia de ozônio poderia transformar aquela pesquisa de bancada em uma solução de larga escala. Entramos no projeto exatamente para fazer essa ponte: trazer a robustez da engenharia industrial para o rigor científico da Embrapa”, pontua Tuschi. A principal motivação para o trabalho foi perceber as extensas proporções do agronegócio brasileiro e constatar que um setor tão vital ainda dependia majoritariamente de tratamentos químicos tradicionais para a armazenagem. “Quando olhamos para a cadeia, vimos a oportunidade de introduzir uma nova cultura que vai ao encontro das exigências da sociedade atual. O consumidor moderno cada vez mais busca alimentos limpos naturalmente e processos sustentáveis. O SiloBio nasceu dessa necessidade de evolução: queríamos aplicar nosso amplo conhecimento em tecnologia de ozônio para modernizar uma etapa importante do agro. Vimos a chance de oferecer uma alternativa tecnológica e limpa, gerando eficiência e rentabilidade para o produtor, além de um impacto social, animal e ambiental positivo na segurança alimentar”, complementa o diretor da Nascente. A sustentabilidade do SiloBio ocorre pelo seu funcionamento à base de ar e eletricidade. Por isso, os impactos da sua adoção são tão significativos. O primeiro deles é a contribuição para a redução da extração de minerais e outros recursos da natureza, hoje utilizados em grande escala na formulação de produtos para atender às demandas do agronegócio. “O nosso sistema capta o oxigênio do ambiente, concentra-o e transforma-o em ozônio através de energia elétrica (que no Brasil provém de uma matriz majoritariamente limpa)”, ressalta Tuschi. Outro aspecto que merece destaque é o ciclo do processo: após o ozônio atuar na desinfecção dos grãos, ele libera o seu terceiro átomo e volta a ser puro oxigênio, retornando à natureza. É um processo de resíduo zero. Com isso, é possível evitar o risco de contaminação de solos e águas e melhorar a qualidade de vida dos animais, que passam a ter uma nutrição mais limpa e equilibrada. Inovação para tratamento de milhares de toneladas de grãos O uso do ozônio no tratamento de grãos não é uma novidade global. Por isso, Tuschi considera importante desmistificar esse ponto. “O mundo já trata diversos tipos de grãos, cereais e sementes com essa tecnologia. A inovação da NCT e da Embrapa está na engenharia do processo”, enfatiza. “Com o SiloBio, demos um salto na forma de aplicar e escalonar esse tratamento. Pela versatilidade, o equipamento pode processar praticamente qualquer grão. No entanto, o nosso foco inicial e toda a pesquisa-base foi ancorada no milho. Escolhemos esse grão para atuar em um dos pontos mais sensíveis do mercado atual: a nutrição animal nas granjas de aves e suínos. Em paralelo, já temos avanços promissores com sorgo, soja e farelos processados de quaisquer grãos. Uma vez consolidada a solução na cadeia da proteína animal, expandiremos gradualmente para as outras culturas”, comenta o diretor. Foto à direita: Lote de milho contaminado com fumonisinas (Marco Aurélio Pimentel) Segundo ele, a perspectiva é prática: o produtor adere àquilo que traz retorno para o negócio. As visitas a campo possibilitaram validar que o SiloBio tem potencial de Retorno Sobre o Investimento (ROI) estimado em menos de dois anos, com base na otimização financeira por reduzir o uso de químicos complementares e na melhoria da qualidade de vida dos animais. “Essa análise é muito significativa para o mercado”, comenta Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo. “As tecnologias precisam entregar valor ao produtor e demonstrar viabilidade econômica comprovada. Isso aumenta o potencial de adoção pelo mercado”, afirma. “A apresentação do SiloBio ocorrerá durante a celebração dos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo. Ao longo de meio século, nossa missão tem sido transformar a ciência em soluções reais para o campo. Não poderíamos comemorar essa data de forma mais significativa do que entregando ao mercado uma inovação que redefine os padrões de segurança e sustentabilidade no agronegócio,” destaca o chefe-adjunto. Botelho reforça que a finalidade primária da inovação é atuar na sanidade do grão, controlando fungos, degradando micotoxinas e inibindo pragas de armazenamento sem deixar resíduos. O SiloBio responde às exigências da sociedade moderna por processos mais limpos e alinhados aos conceitos de ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) e Saúde Única. “Com isso, reafirma o compromisso da Embrapa com um agronegócio mais produtivo, seguro para o consumidor e respeitoso com o meio ambiente”, conclui. Foto: Reginaldo Resende Coelho
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Embrapa Milho e Sorgo (MG) apresenta ao mercado uma tecnologia sustentável e inovadora, capaz de garantir que grãos usados na produção de ração animal estejam livres de toxinas, além de aumentar a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio. Desenvolvido em parceria com a empresa Nascente (NCT), o novo silo biorreator batizado de SiloBio (foto ao lado) é uma solução exclusiva para higienização de grãos em larga escala, que amplia a segurança sanitária e o valor agregado da produção.
O silo biorreator é um equipamento que combina a funcionalidade de armazenamento de um silo com o ambiente controlado de um biorreator, para tratar grãos em escala industrial.
No caso do SiloBio, ele utiliza a ação natural do gás ozônio, tecnologia que elimina micotoxinas, fungos, pragas e demais resíduos químicos, para garantir uma ração segura, sustentável e de alto desempenho.
O desenvolvimento da tecnologia começou com a validação de um processo de aplicação de gás ozônio. Essa técnica, realizada por pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, visa à redução de teores de micotoxinas em grãos de milho na pós-colheita.
O uso do gás ozônio para controlar as micotoxinas, processo conhecido como detoxificação, já era estudado há algum tempo e com potencial demonstrado na literatura. “A Embrapa Milho e Sorgo iniciou pesquisas com foco na redução de teores de fumonisinas, um tipo de micotoxina produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium sp., que é predominante em grãos de milho”, explica o pesquisador Marco Aurélio Pimentel.
“Começamos esses estudos com a aplicação direta do gás ozônio nos grãos entre os anos 2012 e 2013. Essa técnica é chamada de aplicação a seco e, em escala de laboratório, utilizou estruturas (protótipos) que simulavam um silo”, comenta Pimentel, que é o líder desse projeto na unidade de pesquisa mineira.
Segundo o pesquisador, foram animadores os resultados obtidos, como a redução de até 88% de fumonisinas totais e de até 96% de fungos dos gêneros Fusarium sp. e Penicillium spp. “Nesse mesmo estudo pudemos observar que a aplicação do gás ozônio, mesmo por tempo prolongado (até 60 horas), não prejudicou a qualidade dos grãos, mantendo os níveis normais de teor de água, proteínas, lipídeos e cinzas”, complementa.
Os resultados dessa primeira fase da pesquisa estão publicados em um artigo intitulado Ozone as a Fungicidal and Detoxifying Agent to Maize Contaminated with Fumonisins no periódico Ozone: Science & Engineering
Pimentel observa que o ponto de partida para o escalonamento da tecnologia do SiloBio, em parceria com a empresa Nascente, foram esses resultados promissores e o seu potencial para detoxificação de micotoxinas. Outra possibilidade é o uso como agente de controle de insetos e de oxidação de outras moléculas orgânicas que podem ser consideradas contaminantes, como inseticidas e demais agroquímicos.
Desenvolvimento do biorreator SiloBio
Um biorreator foi desenvolvido para uso nos experimentos voltados ao escalonamento. O equipamento tem como característica principal a movimentação dos grãos no seu interior, que é realizado por uma rosca helicoidal. No corpo do biorreator foram inseridos anéis com injetores de gás ozônio para promover maior homogeneidade de aplicação na massa de grãos. Nesse sistema houve vários experimentos com diferentes lotes de milho contaminados naturalmente com variados teores de fumonisinas.
Pimentel relata que uma das formas de medir a eficiência do processo foi determinar a redução percentual relativa dos teores de fumonisinas, após determinado período de aplicação do gás ozônio. Em seguida, os teores obtidos nos ensaios foram comparados com os Limites Máximos Tolerados (LMT) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou pelo setor produtivo, especialmente os admitidos nas cadeias de proteína animal e de alimentação humana.
A Anvisa estabelece LMT para fumonisinas totais em grão de milho não processado de até 5.000 microgramas por quilograma (μg/kg). Já em alguns segmentos das cadeias de produção de suínos e aves, existe uma indicação de limites mais restritivos, chegando ao máximo de 1.000 μg/kg, para matrizes e algumas fases específicas. A cadeia da indústria de alimentação humana também tem LMT nessa faixa ou até menores.
“Tomando esses teores como referência, diversos experimentos foram implementados, onde conseguimos atingir níveis dentro das faixas demandadas por essas indústrias”, comenta o pesquisador. Os dados estão registrados no artigo Tecnologia para redução de fumoninisas em milho por meio da aplicação de gás ozônio.
Inovação para tratamento de milhares de toneladas de grãos
O uso do ozônio no tratamento de grãos não é uma novidade global. Por isso, Tuschi considera importante desmistificar esse ponto. “O mundo já trata diversos tipos de grãos, cereais e sementes com essa tecnologia. A inovação da NCT e da Embrapa está na engenharia do processo”, enfatiza.
“Com o SiloBio, demos um salto na forma de aplicar e escalonar esse tratamento. Pela versatilidade, o equipamento pode processar praticamente qualquer grão. No entanto, o nosso foco inicial e toda a pesquisa-base foi ancorada no milho. Escolhemos esse grão para atuar em um dos pontos mais sensíveis do mercado atual: a nutrição animal nas granjas de aves e suínos. Em paralelo, já temos avanços promissores com sorgo, soja e farelos processados de quaisquer grãos. Uma vez consolidada a solução na cadeia da proteína animal, expandiremos gradualmente para as outras culturas”, comenta o diretor.
Foto à direita: Lote de milho contaminado com fumonisinas (Marco Aurélio Pimentel)
Segundo ele, a perspectiva é prática: o produtor adere àquilo que traz retorno para o negócio. As visitas a campo possibilitaram validar que o SiloBio tem potencial de Retorno Sobre o Investimento (ROI) estimado em menos de dois anos, com base na otimização financeira por reduzir o uso de químicos complementares e na melhoria da qualidade de vida dos animais.
“Essa análise é muito significativa para o mercado”, comenta Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo. “As tecnologias precisam entregar valor ao produtor e demonstrar viabilidade econômica comprovada. Isso aumenta o potencial de adoção pelo mercado”, afirma.
“A apresentação do SiloBio ocorrerá durante a celebração dos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo. Ao longo de meio século, nossa missão tem sido transformar a ciência em soluções reais para o campo. Não poderíamos comemorar essa data de forma mais significativa do que entregando ao mercado uma inovação que redefine os padrões de segurança e sustentabilidade no agronegócio,” destaca o chefe-adjunto.
Botelho reforça que a finalidade primária da inovação é atuar na sanidade do grão, controlando fungos, degradando micotoxinas e inibindo pragas de armazenamento sem deixar resíduos. O SiloBio responde às exigências da sociedade moderna por processos mais limpos e alinhados aos conceitos de ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) e Saúde Única. “Com isso, reafirma o compromisso da Embrapa com um agronegócio mais produtivo, seguro para o consumidor e respeitoso com o meio ambiente”, conclui.
Foto: Reginaldo Resende Coelho
Sandra Brito (MTb 06.230/MG)
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