El Niño exige estratégias diferentes para a agropecuária nas cinco regiões do País – El Niño exige estratégias diferentes para a agropecuária nas cinco regiões do País

Sul

 

Cenário previsto

Na Região Sul, o El Niño 2026/2027 deve provocar chuvas mais intensas e concentradas, principalmente entre os meses de setembro e dezembro. O excesso de precipitação pode causar encharcamento dos solos (foto abaixo), erosão e perda de nutrientes, além de dificultar operações como semeadura, aplicação de insumos e colheita. A maior nebulosidade também pode reduzir a radiação solar e prejudicar o desenvolvimento e o enchimento dos grãos.

 

 

A combinação de umidade elevada e períodos prolongados de molhamento das plantas favorece a ocorrência de doenças. Tempestades e ventos fortes também podem provocar danos a lavouras, pomares, florestas e à infraestrutura rural. Os impactos variam conforme a cultura, a região, a fase do ciclo e o manejo adotado. 

Entre as culturas mais expostas estão os cereais de inverno, arroz irrigado, soja, milho, frutíferas de clima temperado e hortaliças. Nas pastagens, o excesso de chuva pode reduzir a qualidade da forragem, compactar o solo e favorecer sua perda. Na silvicultura, a maior preocupação são os danos provocados por tempestades e ventos fortes. 

Principais recomendações

●    Trigo e outros cereais de inverno: utilizar cultivares mais resistentes a doenças e ao acamamento, escalonar a semeadura, reforçar a cobertura do solo e o monitoramento de doenças e planejar antecipadamente a colheita, a secagem e o armazenamento dos grãos.
●    Arroz irrigado: ajustar a época de semeadura para favorecer maior disponibilidade de radiação na fase reprodutiva, utilizar cultivares resistentes ao acamamento, monitorar a brusone e garantir drenagem rápida das áreas. A maior disponibilidade de água da chuva pode reduzir a necessidade de bombeamento. 
●    Soja e milho: manter o solo protegido, adequar a densidade de semeadura, reforçar o monitoramento de doenças e garantir drenagem superficial eficiente. No milho, o parcelamento da adubação nitrogenada pode reduzir perdas de nutrientes por lixiviação. 
●    Fruticultura e horticultura: manter a cobertura vegetal do solo, revisar os sistemas de drenagem, ajustar a adubação e intensificar o monitoramento de pragas e doenças. Para hortaliças, o cultivo protegido pode ser uma alternativa. 
●    Pastagens: reforçar a conservação e a cobertura do solo e adotar medidas para reduzir os efeitos do encharcamento, da compactação e da erosão.
●    Silvicultura: acompanhar as condições meteorológicas e adotar medidas preventivas diante do risco de tempestades e ventos fortes, que podem causar danos às árvores e à infraestrutura.

No Sul, prevenção e manejo dos riscos devem caminhar juntos. Além do Zarc e do acompanhamento das previsões, as recomendações incluem escalonar a semeadura, manter o solo protegido, melhorar a drenagem e planejar colheita, secagem, armazenamento e logística. O planejamento também deve ultrapassar os limites da propriedade e considerar a microbacia hidrográfica, com medidas para controlar o escoamento da água e ampliar a capacidade de enfrentar eventos extremos.

Para o pesquisador da Embrapa Clima Temperado (RS) e líder da plataforma regional Sul, Ernestino Guarino, a palavra-chave para a região é solo coberto. Práticas de conservação que garantem a infiltração da água, como terraços e curvas de nível, também devem ser adotadas tanto em períodos de excesso quanto de falta de água, pois aumentam a segurança para o produtor.

O pesquisador também recomenda que o planejamento das atividades agrícolas considere informações divulgadas por fontes oficiais, como a Embrapa, o Serviço Geológico Brasileiro (SGB) e o Inmet. “Pragas e doenças também são favorecidas pelo aumento da umidade e exigem maior atenção no manejo das lavouras nesse período”, diz.

Fonte: Norte Agropecuário